
1)
Diabetes: Conceito e Importância
2)
Diabetes Tipo 1 e Tipo 2
3)
Dieta e exercício físicos no diabetes
4)
As complicações crônicas do diabetes
5)
O que fazer quando o diagnóstico é diabetes
DIABETES: CONCEITO E IMPORTÂNCIA
Diabetes melito, a mais comum das doenças endócrinas, é um distúrbio do metabolismo dos carboidratos (açúcares) devido à insuficiência de insulina, absoluta ou relativa, caracterizada pela presença de hiperglicemia (aumento da quantidade de glicose no sangue), polidipsia (sede exagerada) e poliúria (excreção excessiva de urina).
A doença atinge cerca de 140 milhões de pessoas no mundo, e estimativas admitem que esse valor dobre até 2025. No Brasil já são 9 milhões, sendo que mais ou menos 50% não sabem que têm a doença.
Muitas pessoas acham, erradamente, que o diabetes é uma "coisa" simples, um problema banal que "passa deixando de comer doces e usando gotinhas no café, por algum tempo!". O problema não é bem assim.
Pode-se conviver, tranqüilamente, com o diabetes - sim - desde que se introduza no dia-a-dia do paciente uma série de hábitos, rotinas e até medicamentos para neutralizar os efeitos da doença.
Fora isso, quando o diabetes não é controlado, e adequadamente, podem surgir inúmeras complicações que afetarão a qualidade de vida e a possibilidade de uma sobrevida mais longa e normal. E, principalmente, sem sofrimento.
DIABETES TIPO 1 E TIPO 2
O diabetes tipo 1, conhecido também como insulino-dependente, corresponde a 5 a 10% de todos os casos de diabetes melito, e é devido à ausência de produção de insulina pelo pâncreas, pela destruição das células beta.
Aparece abruptamente e tem como principais sinais e sintomas sede intensa, muito apetite, cansaço, excesso de urina e aumento do açúcar no sangue (hiperglicemia), podendo chegar rapidamente ao estado de coma e, caso não seja diagnosticado e tratado, à morte.
Como o pâncreas não é capaz de produzir nenhuma insulina, os diabéticos do tipo 1 dependem, basicamente, da injeção de insulina pelo resto da vida.
O diabetes tipo 2, ou não insulino-dependente, em que há diminuição da secreção de insulina mas não a sua ausência, geralmente diagnosticado após os 40 anos, é característico do paciente obeso, os sintomas aparecem mais gradualmente do que nos pacientes de tipo 1, e o diagnóstico quase sempre é estabelecido quando um indivíduo assintomático, isto é, sem sentir nada, apresenta níveis altos de glicose no sangue, num exame laboratorial rotineiro. Esses casos se mostram bastante sensíveis aos hipoglicêmicos orais - principalmente as sulfoniluréias - em que a dieta alimentar e os exercícios adequados e dirigidos representam um papel de grande importância no controle da doença.
A sua alta incidência no mundo - aproximadamente 12% da população adulta entre 40 e 74 anos - acarreta um enorme impacto econômico, em que pelo menos representa 2 a 3% das despesas de assistência médica na maioria dos paises.
Por ser mais brando no seu aparecimento, o diabetes tipo 2 pode até parecer menos grave, mas apresenta o mesmo potencial de complicações crônicas do que o diabetes tipo 1, caso não seja devidamente tratado. As complicações vasculares, renais, cardíacas aparecem em ambos os quadros de diabetes, variando a sua gravidade com o tempo de diagnóstico / tratamento do paciente.
DIETA E EXERCÍCIO FÍSICOS NO DIABETES
A importância da dieta varia de acordo com o tipo da doença. Nos pacientes do tipo 1, sobretudo os que seguem esquemas intensivos de insulinoterapia, a composição da dieta não necessita ser extremamente rígida, uma vez que o ajuste da dose de insulina pode cobrir amplas variações na ingestão de alimentos. Em pacientes com diabetes tipo 2, que não são tratados com insulina subcutânea, é preciso aderir de modo rigoroso a uma dieta fixa, porquanto a reserva de insulina endógena é limitada. Assim, esses pacientes não podem responder a uma demanda maior, produzida por excesso de calorias ou aumento na ingestão de carboidratos (açúcares) de absorção rápida.
É necessário ter em mente que não são, somente, os carboidratos (açúcares) que devem ser evitados, enquanto que lipídios (gorduras) e proteínas podem ser ingeridos à vontade, em ambos os tipos de diabetes. Há necessidade, isto sim, de um perfeito equilíbrio entre todos os componentes, em que os nutrientes sejam balanceados em seus valores correspondentes.
Quanto aos exercícios, importante para diminuir a obesidade e a própria glicemia, é fundamental que haja um período inicial de aquecimento, de 5 a 10 minutos, com atividades aeróbicas, em nível menos intenso, para preparar os músculos, coração e pulmões para uma atividade maior. No final, também por 5 a 10 minutos, é necessário um desaceleramento com atividades.
É importante que os exercícios sejam repetidos todos os dias - se possível no mesmo horário - e que se tornem prazerosos, pois só assim ganharão a total adesão do diabético.
AS COMPLICAÇÕES CRÔNICAS DO DIABETES
As complicações crônicas do diabetes são aquelas que acontecem após muitos anos de doença, muitas delas relacionadas com valores de glicemia (açúcar no sangue) acima de 200mg/dl durante longos anos (até 15 anos). Essas manifestações "tardias" do diabetes podem acontecer silenciosamente, e - o que é pior - sem que o paciente perceba a evolução da própria complicação.
Os principais alvos das complicações são os vasos sangüíneos que podem promover estragos gigantescos nos rins (provocando nefropatia diabética, podendo levar à hemodiálise / transplante renal) e na retina (retinopatia diabética, principal causa de cegueira).
Os vasos sangüíneos não são os únicos a sofrer com a hiperglicemia. As fibras nervosas também apresentam problemas visto que a neuropatia diabética pode repercutir de maneira dolorosa, dificultando demais a qualidade de vida.
O QUE FAZER QUANDO O DIAGNÓSTICO É DIABETES
O diabetes é uma doença cuja evolução depende muito do paciente. A dedicação e o cuidado do diabético para com a sua doença pode ser o diferencial para prevenir ou retardar as complicações a longo prazo, como a cegueira, a insuficiência renal e outras patologias vasculares, e mesmo neuropatias, que podem acontecer.
Visitar o médico - regularmente - seguindo as suas prescrições, inclusive de dieta e de exercícios físicos, é a primeira medida "obrigatória" para que haja um bom convívio entre diabetes e diabético.
A segunda medida "obrigatória" refere-se, sem dúvida, a não atenção a "comadres, vizinhos, amigos bem intencionados e palpiteiros" que sempre têm aquela receita infalível, geralmente com ervas, que resolverá a sua doença. Nada contra as ervas, garrafadas ou benzedeiras, só que ainda não há comprovação científica. É trocar o certo pelo duvidoso.
E, finalmente, a terceira medida "obrigatória" é viver. O diabetes não impede que você seja feliz, na plenitude de suas emoções e raciocínio. Você não é "um doente"; você tem apenas uma doença, absolutamente controlável por você mesmo. Viva, seja feliz e faça os outros felizes.